PRODUTIVIDADE NA SOJA

2022-11-01T07:00:00.0000000Z

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BIODIVERSIDADE ∣ APICULTURA

De tanto ver abelhas visitando as lavouras e ouvir relatos de produtores que percebiam maior produção de grãos perto de locais com apiários, o pesquisador da Embrapa Soja e engenheiro agrônomo Décio Gazzoni começou a desenvolver estudos científicos para constatar se realmente esses insetos polinizadores poderiam contribuir para maior produtividade de uma planta, como a soja, que é considerada “autógama, cleistogâmica e autopolinizável”. Trocando em miúdos esse palavreado todo, a soja tem flores hermafroditas e se autopoliniza, fecundando-se antes mesmo da abertura da flor. “Uma flor de soja dura de 24 horas a 30 horas, com a autopolinização ocorrendo durante a noite e a madrugada. Mas, em nossas pesquisas, constatamos que o estigma dessa flor, no alvorecer, ainda está receptivo e, quanto mais pólen chegar até ali, maior é a probabilidade de fecundação. Quando a abelha chega para colher o néctar, aumenta a polinização e, consequentemente, a produtividade”, detalha o pesquisador. Gazzoni instalou colmeias de Apis mellifera em bordas de lavouras de soja, desenvolveu modelos estatísticos, fez diversas repetições e, cientificamente, concluiu que áreas de soja visitadas por abelhas africanizadas chegam a produzir 12,96% a mais. “É um bônus para o agricultor. Enquanto isso, o apicultor consegue um mel de boa qualidade, em grande quantidade. Na florada da soja, é possível obter 80 quilos de mel por caixa de abelhas em um período de 45 dias”, explica. Os biólogos Diego Moure Oliveira, de 35 anos, e Joyce Almeida-Dias, de 36, coordenadores técnicos da Agrobee, uma startup que faz polinização assistida em diversas culturas, entre elas, a soja, chegaram, na safra 2021/2022, a resultados muito próximos aos de Gazzoni. Perto do pico de florada, a fase chamada tecnicamente de R2, eles inserem abelhas, também da espécie Apis mellifera, no entorno das lavouras de soja, com duas colmeias por hectare, em média. Elas ficarão por ali entre 15 e 20 dias. Dentro do mesmo talhão, com o mesmo solo, os biólogos fazem uma área testemunha, onde as abelhas não chegam. Na colheita, comparam a área onde estavam as abelhas com a área testemunha. “Na safra 2021/2022, trabalhamos em 850 hectares que receberam o tratamento com as abelhas, nos Estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, e observamos, na média ponderada, 12,7% a mais de produtividade da soja onde as abelhas visitaram. Isso se deve à melhora, principalmente, de vagens por planta, o que significa que se reduziu o abortamento de flores que se tornaram frutos”, ressalta Diego.

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