O planeta Terra é um só

MESMO NÃO TENDO UM IMPACTO CÓSMICO, NÃO DEVEMOS SAIR POR AÍ DESTRUINDO AS FLORESTAS, QUEIMANDO COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS E POLUINDO OS LENÇÓIS FREÁTICOS

Luiz Josahkian é zootecnista, professor de melhoramento genético e superintendente técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ)

2022-11-01T07:00:00.0000000Z

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OPINIÃO ∣ IDEIAS

Até onde nossa vista e os telescópios alcançam, a Terra é o único planeta onde existe vida, pelo menos tal qual a conhecemos. Somos um caso de sucesso no cosmos. De fato, é surpreendente que a Terra reúna todas as condições físicas e químicas que tornam a vida possível. Segundo a teoria cientificamente aceita do Big Bang, o universo surgiu de uma partícula única, de densidade inimaginável e que explodiu há 14,8 bilhões de anos, criando e arremessando a matéria na vastidão do cosmos. Nesse processo surgiram as quatro forças fundamentais da natureza, dentre elas a gravidade, que aglomerou partes da matéria então criada, formando as estrelas, galáxias e planetas. Especificamente no nosso caso, orbitamos a 150 milhões de quilômetros de distância em torno de uma estrela, o Sol. Tivéssemos sido arremessados um pouco menos, no lugar de Vênus, nossa temperatura média seria de cerca de 460 ºC na superfície. Mais longe um pouco, seríamos Marte, muito frio, cerca de 60 ºC negativos na superfície. Mas ficamos nesse meio de caminho, onde a temperatura média na superfície é de 15 ºC. Contudo, não seria a temperatura o único fator a proporcionar o surgimento e a manutenção da vida por aqui. A concentração dos gases atmosféricos, especialmente o nitrogênio (78%) e o oxigênio (21%), completou o cenário. Além desses, o dióxido de carbono (CO ), vapor d´água, metano e óxido nitroso foram e são fundamentais para reter calor suficiente e permitir a continuidade da vida. O estabelecimento dessas condições preliminares pode ser considerado o ponto de início das formas de vida, mas é admirável observar que é a própria vida na Terra a responsável pela manutenção da composição atmosférica através de seus processos de ciclagem de elementos químicos. Em síntese, se a vida na Terra fosse extinta, seria apenas uma questão de tempo para que o equilíbrio geoquímico se perdesse, resultando em altas concentrações de dióxido de carbono e altas temperaturas. É preciso um esforço adicional para entender e aceitar que o ser humano é uma pequena peça engendrada em um imenso sistema interdependente e que, do ponto de vista do universo, não passamos de apenas mais uma entre os 8,7 milhões de espécies existentes. Contudo, nossas atividades produtivas podem acelerar alguns processos de desequilíbrios ambientais, sobretudo aqueles com efeito local ou regional. Isso quer dizer que, mesmo não tendo um impacto cósmico ou mesmo planetário, não devemos sair por aí destruindo as florestas, queimando combustíveis fósseis e poluindo os lençóis freáticos. Nosso conforto em nossa estada temporária nesse planeta depende de ações conscientes. As tecnologias de produção de alimentos estão cada vez mais evoluídas para atender às demandas crescentes em um cenário ecologicamente correto. Mesmo que o Sol, daqui a 6 bilhões de anos, deixe de existir e consuma tudo ao seu redor, não há por que negligenciar o planeta. Parafraseando o poeta, que seja eterno (e bom) enquanto dure.

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