Carbono precificado

FERRAMENTA DESENVOLVIDA PELA FGV PERMITIRÁ ENTENDER COMO OS PREÇOS ESTÃO VARIANDO EM UMA ESTRUTURA DE MERCADO AINDA MUITO COMPLEXO E FRAGMENTADO

Roberto Rodrigues é coordenador do Centro de Agronegócio da FGV e presidente da Academia Brasileira de Ciências Agronômicas

2022-11-01T07:00:00.0000000Z

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OPINIÃO ∣ TENDÊNCIAS

Em novembro do ano passado, a FGV criou o Observatório de Bioeconomia (OCBio) que foi instalado no Centro de Estudos do Agronegócio da Escola de Economia de São Paulo. Em menos de um ano de intenso trabalho de uma equipe técnica altamente qualificada, o observatório produziu uma inacreditável quantidade de estudos e pesquisas da maior importância para o agro brasileiro, em boa parte noticiados por uma newsletter mensal publicada nas redes sociais. E há poucos dias o OCBio lançou uma plataforma de dados (dashboard) que trará informações globais sobre os principais instrumentos de precificação de carbono. Esclarecendo: um dashboard é uma ferramenta que utiliza elementos visuais para contar uma história de maneira interativa, baseada em um conjunto de dados. Esses dados são atualizados continuamente, de modo que interessados saberão os principais elementos para a precificação do carbono. Vale dizer, para começar, que um crédito de carbono corresponde a 1 tonelada de dióxido de carbono equivalente, cujo valor varia nas diferentes regiões do mundo. O dashboard do OCBio é composto por seis subgrupos: • Comparativo dos principais instrumentos de precificação do carbono; • Taxa de carbono; • Sistema de comércio de licenças de emissão; • Mercado de créditos de carbono; • Créditos de descarbonização (CBIO) do programa RenovaBio; • Esquema de compensação e redução de emissões de carbono da aviação internacional (do inglês CORSIA). Por meio deles, podemos conhecer os fatores visuais que mostram a evolução temporal da distribuição geográfica das iniciativas de precificação em qualquer lugar no mundo, além das séries históricas dos preços da tonelada de dióxido de carbono equivalente e – principalmente – as receitas geradas por cada uma dessa iniciativas e a proporção das emissões precificadas no montante global de GEE emitidos. O mercado de carbono, por sua vez, tem duas vertentes: • O regulado, aquele em que o governo regulamenta quais setores da atividade econômica devem atender a um limite de emissões de GEE, podendo comercializar licenças de emissão; • E o voluntário, em que agentes econômicos decidem voluntariamente como devem compensar suas emissões por meio da compra e venda de créditos de carbono. Pois bem: o dashboard fornecerá informações sobre o volume e os preços negociados, seja pelas licenças de emissão, seja pelos créditos de carbono emitidos por setor e por continente. É, portanto, uma ferramenta importante tanto para os formuladores de políticas para o setor (governos) quanto para quem opera no mercado de carbono (compradores, vendedores, financiadores). Em particular, no caso do mercado voluntário de carbono, como a grande maioria das transações acontece em entendimentos privados, todos os agentes referidos poderão entender, a partir das informações do dashboard do OCBio, como os preços estão variando em uma estrutura de mercado ainda muito complexo e fragmentado. É um avanço extraordinário em que o Brasil se antecipa ao que será decidido na COP 27, a ser realizada em novembro, no Egito.

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